Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) Download

Direção: Tim Burton

Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Crispin Glover, Michael Sheen, Stephen Fry

Nota no IMDB: 6.9

Categoria: Aventura, Fantasia

Sinopse: O filme é uma espécie de continuação da história original. Alice, agora com 19 anos, está em uma festa da nobreza em Oxford, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que visitou há treze anos mas não se lembrava mais. O buraco transporta-a para uma pequena sala com muitas portas em um mundo chamado Underland. Ao conseguir sair, ela é saudada por Nivens McTwisp (o Coelho Branco ), Mallymkun (o Ratão ), Uilleam (o Dodô ), Tweedledee e Tweedledum , que questionam sua identidade como “a Alice certa”.

Comentários: Qualidade bem decente para um Telesync. Ideal para aqueles que estão morrendo de curiosidade pela nova empreitada do Burton.

Torrent (Tamanho: 1.43 GB, qualidade: Telesync) – Legendas

e viva a pirataria

Um abraço no Almodóvar

Los Abrazos Rotos (título original) marca a quarta colaboração entre o diretor e a atriz Penélope Cruz. O filme se passa em Madrid, e gira em torno de Mateo Blanco (Lluís Homar) – ou Harry Caine – um roteirista e ex-diretor de cinema que fica cego num acidente de carro. A história é contada através de flashbacks, então, acompanhamos os anos 1992, 1994 e 2008.

Além da história de Mateo, ficamos sabendo de um caso que ele teve com Magdalena (Penélope Cruz). Entre um flashback e outro, descobrimos armações, intrigas e romances que aconteceram durante a filmagem do filme (dentro do próprio filme) Chicas y Maletas, que por sua vez, é Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos com algumas alterações.

Parece confuso, mas ao assistir o filme, só o que se pode pensar é que Almodóvar é um gênio. A história é divertida, emocionante e conta com pitadas de cinema noir. Uma das cenas mais comentadas é o processo de criação de um roteiro sobre vampiros, escrito por Mateo e Diego (Tamar Novas), o filho da agente de Mateo, Judi (Blanca Portillo). Há quem diga que é uma alfinetada na febre Crepúsculo, True Blood e derivados.

A trilha sonora não  é tão expressiva quanto eu esperava, porém, conta com músicas de Cat Power e Uffie, entre outros. No entanto, as cores de Almodóvar ainda estão presentes, e quem melhor do que mostrar tais cores do que Penélope Cruz? Como em Volver e Vicky Cristina Barcelona, Penélope está deslumbrante e perfeita no papel, forte, triste e engraçada na medida certa. Uma coisa que gosto nos filmes do Almodóvar é a presença das figurinhas carimbadas, como Penélope, Blanca Portillo, Rossy de Palma e Lola Dueñas, como uma hilária leitora de lábios.

Eu senti falta da musa principal, Carmen Maura, ele deveria ter achado um lugar pra ela, mas, mesmo sem ela, o filme é perfeito! Vale muito a pena! Abaixo, o trailer pra quem ainda não conhece:

créditos: mycool

[Paulo Cruz]

O Mágico de Oz – 70 Anos

Em 2009, a adaptação para os cinemas do conto fantasioso de Lyman Frank Baum completa 70 anos desde seu lançamento. O filme, lançado em 1939, tornou-se um marco do cinema por diversos fatores. Foi uma das primeiras produções a usar o recurso de technicolor (para deixar as cenas coloridas), alçou Judy Garland – que já era popular na época – ao status de verdadeira estrela de Hollywood, apresentou canções originais que o mundo cantaria até os dias de hoje, e foi uma das primeiras adaptações de obras literárias que puderam ser vistas nas telas dos cinemas.

É difícil fazer um post sobre os 70 anos da película sem comentar sobre as diversas variações da história que surgiram no decorrer do tempo. Até mesmo o próprio livro, lançado pelo escritor nascido em Chittenango, NY, ganharia mais treze (!) continuações, criadas pelo próprio. Frank Baum, que era fascinado por literatura e teatro desde a infância, lançou diversos livros infantis e adultos, mas entregou ao mundo sua obra definitiva – “O Mágico de Oz” – somente em 1900. A história de Dorothy, garota que é levada à uma terra desconhecida por um furacão repentino e procura, com a ajuda de um espantalho, um leão e um homem de lata por um mago poderoso que pode mandá-la de volta pra casa foi um grande sucesso de vendas na época, tendo sido posteriormente adaptada para os palcos da Broadway, permanecendo em cartaz por nove anos.

Incrivelmente, o aniversário da versão cinematográfica foi comemorado de forma discreta em alguns lugares do mundo. A cidade de Wamego, no Kansas, realizou diversos eventos em comemoração à data, além de manter há anos o “museu” de “O Mágico de Oz”, que possui no acervo mais de 25 mil (!!) peças relacionadas ao filme, incluindo um figurino original usado por Judy Garland nas filmagens do mesmo. No resto do globo, os setenta anos do lançamento foram celebrados sem muito alarde – os grandes estúdios e redes de lojas não deixaram de prestar suas homenagens e, de quebra, talvez lucrar um pouco com isso…

A Warner Bros. , em companhia da “Swarovski” convidou diversos designers/estilistas famosos para fazerem releituras bem glamourosas do famoso sapatinho de rubi que a protagonista usa para realizar seus desejos (curiosidade: no livro, eles não são rubi, são prateados!) A exposição “The Wizard of Oz Ruby Slipper Collection” – que mostrará as criações de nomes como Manolo Blahnik, Jimmy Cho e até Gwen Stefani e sua grife L.A.M.B – esteve na Mercedez Benz Fashion Week no mês de Setembro,  e, itinerante, estará em outras grandes cidades, como Miami, durante a Miami Art Week esse mês. Os sapatos serão leiloados daqui alguns meses, com o fim do evento.

Os estúdios lançaram também, em diversos países – incluindo Brasil – uma edição especial do filme em DVD, com 4 discos cheios de extras. Ok, o preço é salgado: em média, R$149.00 pelo Box completo. Lá, você pode encontrar materiais nunca antes vistos pelos fãs, produzidos na época do lançamento e também agora.

Gostaria de prestar sua homenagem a obra e convidar os leitores à conhecer – ou relembrar – esse clássico que recebeu dois Oscars  (melhor trilha sonora e melhor música) , foi eleito pelo American Film Institute como o décimo melhor filme de todos os tempos e está guardado de forma carinhosa nas mentes de gerações que vivenciaram uma época diferente da nossa e agora, continua conquistando novos fãs apaixonados pelo reino de Oz e por uma história tão simples e ao mesmo tempo tão encantadora e marcante.

Pra finalizar, vamos relembrar uma das canções mais clássicas de todos os tempos e que está na trilha sonora do filme? Aposto que vocês sabem qual é…

[Paulo Cruz]

Joe Strummer do Clash por Julien Temple

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The Future is Unwritten, documentário  sobre a vida de Joe Strummer, líder do The Clash. Dirigido pelo britânico Julien Temple o filme tem entrevistas com discípulos de Strummer como Bono, os atores Johnny Depp e John Cusack e os Red Hot Chili Peppers, além dos outros integrantes do Clash e amigos que moravam com ele em prédios condenados (squats) em Londres antes do sucesso da banda.

Imagens de Strummer nunca vistas, como de sua infância e juventude, além de clipes do Clash e dos Mescaleros, sua última banda, estão no documentário. Antigas entrevistas e gravações do programa de Joe Strummer na rádio BBC também fazem parte do filme, além de desenhos feitos por ele e que foram transformados agora em animações.

O cineasta Julien Temple ficou conhecido depois que dirigiu o primeiro filme dos Sex Pistols, Sex Pistols Number 1, em 1977. Em 1980 revelou toda a jogada de marketing de Malcolm MacLaren para os Pistols em The Great Rock’n Roll Swindle. Desde então realizou vários clipes, filmes e documentários de bandas de rock entre eles o musical Absolute Begginers, com David Bowie, e The Filth and the Fury, novamente enfocando os Sex Pistols, em 2000.

The Future is Unwritten teve premiere no Festival Sundance este ano e estreou no Reino Unido em maio. Não há informações sobre a estréia do filme no Brasil. A trilha sonora será lançada em breve e ela inclui não só preciosidades da coleção de discos de Joe Strummer, como também techno, e música havaiana e latino americana. Canções das bandas de Strummer obviamente estão na trilha além de faixas de Elvis Presley, Bob Dylan, Rolling Stones, o ídolo rockabilly Eddie Cochran e o jamaicano Ernest Ranglin.

[Paulo Cruz]

Veja o trailer de The Future is Unwritten:

Filme realizado por Madonna

Sujidade e Sabedoria , filme realizado por Madonna, estreia quinta-feira [veja o trailer]

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Primeira longa-metragem da rainha da pop conta com Eugene Hütz, dos Gogol Bordello, no papel principal.

O filme de estreia de Madonna como realizadora, Sujidade e Sabedoria , estreia esta quinta-feira (dia 10) nas salas nacionais. A longa-metragem conta a história da personagem desempenhada por Eugene Hütz (líder dos Gogol Bordello ), um emigrante ucraniano que tenta vencer na vida na Inglaterra e das suas duas companheiras de casa. [Paulo Cruz]

O Freakfolk no Cinema

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Eternamente Crianças (Eternal Children, David Kleijwegt, 2006) é um documentário sobre a cena que então surgia em Nova York nos meiados da primeira década do século XXI. A tal cena, é o que foi instantaneamente cunhado como Freak-folk (pra alguns o nome foi “New American Folk”) – tal cena pode ser bem moldada para desconhecidos com a coletânica Golden Apples of The Sun, onde grande parte das bandas participam, inclusive os artistas contemplados no documentário, Devendra Banhart, CocoRosie, Anthony and the Johnsons e Vashti Bunyan. Outro bem presente no documentário é o músico William Basinski e suas Desintegration Loop Tapes.

Fruto de um senso de comunidade e comunhão, essas pessoas, distintas uma das outras, compartilham suas músicas e idéias. É muito dificil criar uma união musical entre os artistas, até mesmo pessoal. Basinki é praticamente um intelectual da música, Devendra um hippie, CocoRosie duas irmãs que se comportam quase como crianças (gostam de se ver assim de quaquer forma), Anthony é um artista no sentido mais pleno da palavra, Vashti é uma ex-hippie da década de 70 que é chamada de “matriarca” do movimento.

O filme tem a grande vantagem de não entrar no mérito de se aquelas pessoas são conscientemente um grupo de pessoas que se identificam musicalmente ou não. Na verdade, o que os une é justamente como diz uma das irmãs do CocoRosie, um certo sentido de comunidade que era presente na vida daquelas pessoas – dão até um lugar onde teria existido tal sentimento, em um show de Anthony. O que os parece unir na verdade é uma amizade e uma generosidade entre as pessoas – coisa que Vashti diz não ter acontecido nos anos 1960, geração que ficou conhecida por se comportar dessa maneira, mas que de repente se tornava real em uma Nova York do século XXI.

Vashti inclusive é a que oferece a melhor visão de quem são aquelas pessoas. Na cena inicial do filme, aparecem as irmãs de CocoRosie andando de bicicleta por terrenos baldios da cidade, onde de repente param a falam coisas que não se pode dizer se são sérias ou não: umas fadas que aparecem todas as noites para cortar o cabelo das meninas. Vashti diz que a genialidade e beleza dessas pessoas é justamente o entrelugar que essas coisas acontecem, nunca se sabe se estão falando sério ou não, se o que dizem é verdade ou não, se realmente acreditam no que dizem ou se estão brincando. O lugar da incerteza e do estranhamento e da não exaditão das coisas é implantado. Ou seja, a música, a arte dessas pessoas são mais ou menos isso mesmo – um estranhamento e uma não certeza do que é possível dizer sobre essas pessoas, sobre a músicas delas. Por isso surge, com o reconhecimento artístico deles um estranhamento do sucesso – não esperavam realmente que tantas pessoas iam realmente gostar daquelas músicas.

Esse entrelugar se transparece para a sexualidade das pessoas, assunto que se mais bem explorado poderia ter deixado o filme melhor. Anthony aquela figura incrivelmente ambígua, a assexualidade do CocoRosie, transparece na sensação corporal que essas músicas apresentam, a música, como diz Devendra no filme, se utiliza do corpo dessas pessoas para ser capitada no ar e retrasformada em música para o público em geral, uma idéia um pouco hippie, transcendental, mas que o diretor do filme consegue deixar muito simpática. Com Basinski  e sua música muito mais intelectualizada não é diferente – o acaso de um encontro que cria aquelas músicas que vão se desintegrando. Basinski inclusive coloca a “desintegração” como componente formador dessas pessoas – uma resposta ao pós-grito de desespero de Cobain que os anos 90 não conseguiram lidar, como fala Anthony.

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Ademais, as cenas de apresentações dos artístas são muito boas. Os shows “esculhambados” de Devendra que o Brasil já pode ver, Vashti tocando na relva, Anthony simpático no palco, fazendo piadas, mas cantando com uma emoção impressionante (como o Brasil também já pode ver), e a criação musical do CocoRosie, os experimentos, as gravações que são dos melhores momentos do filme. É um filme que vale a pena, pela presa da contemporaneidade de tentar entender o presente, o acontecimento recente. É um tanto bonito o filme – e mais uma vez, como em I Need That Record!, uma necessidade por uma idéia de comunidade, do comunitário, vem à tona novamente. Pode ser uma resposta a essa necessidade – uma comunidade ainda por vir.

Ai está a primeira parte do filme. créditos: odisco

[Paulo Cruz]

Documentário desvenda a genialidade, loucura e criatividade do eterno “mutante” Arnaldo Baptista

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Arnaldo Baptista, entre pincéis e telas

Texto e entrevista de Tanara de Araújo

Fotos de Canal Brasil/Divulgação

Quem diabos é Arnaldo Baptista? Gênio. Visionário. Louco. Mito. Artista. Todas absolutamente corretas, as respostas são esmiuçadas em Lóki, primeiro longa de Paulo Henrique Fontenelle, em cartaz nos cinemas do país. Premiado como melhor documentário no Festival de Miami deste ano, o filme não é apenas brilhante por trazer à tona a rica trajetória do eterno líder dos Mutantes. É também meritório por equilibrar a narrativa para leigos e iniciados — nada excessivamente didático, nem específico em demasia.

O ponto de partida é um recorte da vida pacata que atualmente Arnaldo leva na cidade mineira de Juiz de Fora, ao lado da esposa Lucinha. Em tom confessional, o músico destrincha histórias e sentimentos enquanto se dedica à pintura de uma tela, sua outra paixão artística — não tão desenvolvida quanto a música, mas simbolicamente interessante. Passado o prólogo, o roteiro de Fontenelle desdobra-se em três atos: a ascensão (Mutantes), a queda (drogas e depressão) e a redenção (reconhecimento da obra).

A primeira parte é, inevitavelmente, a mais divertida. É o retrato da inventividade rebelde de Arnaldo, Sérgio e Rita no auge da juventude e da inspiração. É o capítulo da compreensão da importância dos Mutantes em um país sem tradição roqueira em meio à ditadura dos anos 60. É o diário do amor profundo de Arnaldo por Rita e a explicação dos termos gênio e visionário. Não é necessária a carteirinha de fã para se emocionar com os registros do trio nessa época. Um dos mais tocantes é a entrevista nos bastidores do festival de 1967, no qual a banda acompanhou Gil em “Domingo no Parque”. Pueril, Arnaldo descreve a experiência como “muito legal”.

Além de uma infinidade de material de arquivo e entrevistas com o próprio Arnaldo Baptista, Lóki é recheado de declarações de amigos, jornalistas e artistas. De um elenco que vai do irmão Sérgio Dias ao fã Sean Lennon, pipocam histórias pessoais, lembranças engraçadas e tristes, análises, pedidos de desculpas e, óbvio, agradecimentos e elogios. Com um casamento perfeito entre imagens e depoimentos, a montagem perspicaz de Fontenelle deu-se ao luxo de descartar a (quase sempre) enfadonha figura do narrador.

Ainda que uma importante peça-chave da vida e obra de Arnaldo, Rita Lee optou por manter-se em silêncio – assunto que provocou ligeira polêmica. A falta de seu testemunho, porém, não compromete o fluxo narrativo, muito menos o resultado final. Pelo contrário. Com aparições reservadas a imagens antigas (cedidas por ela sem problemas), Rita é encaixada ao contexto de modo doce e afetuoso. Exatamente como permanece na memória de Arnaldo.

Queda e redenção

A partir da menção às drogas lisérgicas, o filme sutilmente muda o tom. Com edição mais lenta e narrações mais densas, a alegria é substituída por sombras. Ladeira abaixo, segue-se a dura separação de Rita e a derrocada dos Mutantes. Em um fiapo de luz — que expande o significado de gênio e insere o de louco — Arnaldo concebe o álbum que dá título ao filme. Embora tido como obra-prima, o conteúdo é o esboço de problemas futuros ligados à depressão.

Orquestrada pela fiel Lucinha, a recuperação marca a etapa final de Lóki, que volta a ter um ritmo mais ágil e comentários mais positivos. Após longo ostracismo, Arnaldo exorciza velhos fantasmas com o retorno dos Mutantes (mesmo com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee). Com belas imagens de shows lotados, beirando à catarse em Londres e São Paulo, e fãs espalhados pelo mundo, o momento é de prestígio. O ciclo fecha-se com o entendimento do mito.

É certo que a vida de Arnaldo Baptista é um roteiro de cinema nascido pronto. Sucesso, amor, obstáculos e final feliz. Fazer a fórmula dar certo, seja em documentário ou ficção, são outros quinhentos. É preciso, entre demais critérios, fazer escolhas técnicas acertadas e sensibilidade para administrar o conteúdo a diferentes públicos. Em sua estreia, Paulo Henrique Fontenelle foi bastante feliz não só nesses pontos. Acima da elucidação de qualquer conceito, Lóki é um sólido mosaico sobre o homem à frente do artista, do visionário, do louco e do gênio.

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Gênio, louco, visionário, mito e artista

ENTREVISTA – PAULO HENRIQUE FONTENELLE

“O rebelde entre os rebeldes”

Você pesquisou, roteirizou, dirigiu e montou as quase duas horas de Lóki. Ao assisti-lo, fica evidente que você lidou com um material bastante extenso. Como foi o processo de buscar, separar e decidir o que iria para a tela?

Foram quase quatro anos de trabalho intenso. Começamos com um programa de meia hora em 2005, que desencadeou o projeto do longa, e iniciamos as filmagens em 2006 com o show de Londres. Durante todo esse tempo, corremos atrás de todas as pessoas que fizeram parte de maneira significativa na vida do Arnaldo, seja para dar entrevistas ou contribuir com materiais. Acompanhamos o Arnaldo no seu dia-a-dia, filmando a pintura do quadro e a turnê com os Mutantes. Também percorremos todas as emissoras de TV e cinemateca atrás de imagens de arquivo. No final, tínhamos reunidos mais de 500 horas de imagens. E aí começou o quebra-cabeça da edição. Montei um primeiro corte de duas horas e quarenta minutos, que já estava ótimo. Foi duro ter que cortar quase um terço do filme, mas acho que o que ficou é o fundamental para contar a história desse grande artista.

Além dos materiais de arquivo e das intervenções do próprio Arnaldo, há os depoimentos de várias pessoas ligadas diretamente a ele ou não. Algumas escolhas são óbvias (Liminha, Dinho, Sérgio Dias) mas há nomes interessantes como Lobão e Devendra Banhart. Como foi a escolha desse elenco?

Buscamos praticamente todas as pessoas que de alguma maneira fizeram parte da vida do Arnaldo, desde amigos de infância a parceiros musicais. Lobão participou bastante da vida do Arnaldo. Eles quiseram montar um grupo juntos no final dos anos 70 e recentemente ele foi uma das pessoas que lançaram o disco Let It Bed, através de sua revista OutraCoisa. O filme ainda abre espaço para fãs ilustres do Arnaldo como Sean Lennon e o Devendra, que nós conhecemos quando fizemos nossas primeiras gravações em Londres.

Como foi a questão da recusa da Rita Lee?

Tentamos várias vezes entrar em contato com Rita Lee, mas sempre recebíamos a resposta, através de sua assessoria de imprensa, de que esse é um assunto que ela não gostaria de falar. É algo que devemos respeitar. Mas apesar dela não ter dado entrevistas, a Rita está presente no filme o tempo todo da maneira mais bonita possível através de imagens de arquivo. É a Rita Lee pela qual o Arnaldo se apaixonou.

Quais as outras dificuldades que você enfrentou para tocar o projeto?

A maior de todas era estar fazendo um filme tão complexo com um orçamento e uma equipe mínima. Éramos, durante a produção, basicamente três pessoas: eu, o André Saddy (produtor executivo) e a Isabella Monteiro (diretora de produção) nos revezando nas mais diversas funções, dedicando fins-de-semana, férias com uma paixão incrível. Essa paixão foi o diferencial que fez a gente superar todas as dificuldades. Como o Paulo Mendonça, diretor geral do Canal Brasil, sempre fala, esse é um filme amador no melhor sentido da palavra. Um filme feito por pessoas que amam aquilo que fazem.

Lóki apresenta claramente três atos: alegria dos Mutantes, a obscuridade do período da depressão e a esperança advinda do reconhecimento da obra. Isso foi fruto do roteiro ou da montagem?

Quando eu comecei a rodar o filme, tinha uma ideia bem clara do que eu queria contar. A vida do Arnaldo por si só já é um história que daria um ótimo filme de ficção. Mas, obviamente, as coisas foram acontecendo no meio do caminho e o filme foi se modificando. Quando comecei o projeto, pretendia acabar o filme mostrando como o Arnaldo vivia esquecido em Juiz de Fora. Mas a primeira coisa que aconteceu quando iniciamos o projeto foi a reunião dos Mutantes em Londres. Achei que ali tínhamos o final perfeito. Alguns meses depois, teve o show do Ipiranga para 80 mil pessoas, fechando com chave de ouro essa trajetória. Foi um filme que foi se modificando com os acontecimentos.

Como foi a recepção do Arnaldo em relação ao material finalizado?

A primeira vez que ele viu foi em uma sessão fechada na sala do Canal Brasil. Pude perceber sua emoção no final da exibição. Ele diz que o filme conseguiu capturar a sua alma e que, a partir de agora, ele será sempre lembrado como “o rebelde entre os rebeldes”.

E por que Arnaldo Batista?

Tudo começou com um programa de televisão que fizemos em 2005. Na época, eu quase nada sabia sobre o Arnaldo. Durante a feitura do programa, fui lendo tudo e ouvindo tudo que era possível sobre o Arnaldo e ficando cada vez mais fascinado com sua história de vida e com a beleza de sua obra. Ao término da edição, ficou em mim uma frustração muito grande em ter que resumir uma vida tão rica de acontecimentos em meia hora. Mais do que isso: ficou a indignação de ver como uma pessoa tão importante para a nossa cultura vivia tão esquecida e com seu valor não reconhecido. Acho que esse filme faz justiça ao talento e a real importância do Arnaldo na nossa música e creio que a partir de agora, Arnaldo Baptista jamais será esquecido.

[Paulo Cruz]

‘Trainspotting’ é eleito o melhor filme britânico dos últimos 25 anos

O Jornal inglês ‘The Observer’ convidou mais de 60 celebridades relacionadas a 7ª arte inglesa para listar o que seria “Os 25 melhores filmes britânicos dos últimos 25 anos”.
A cada convidado, entre eles diretores, roteiristas, atores,e críticos, foi incumbido a tarefa de eleger 10 filmes de sua preferência e o filme mais citado foi Trainspotting, de Danny Boyle, mesmo diretor do “Quem Quer Ser Um Milionário?”, premiado com Oscar de melhor filme em 2009 e 9ª colocação na lista britânica.

Trainspotting também faz parte da lista dos 100 melhores filmes da minha vida e Danny Boyle um dos meus diretores preferidos. Aproveito para indicar “Cova Rasa”, sua estréia atrás das câmeras e “Extermínio”, já em uma fase mais badalada de sua brilhante carreira.
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Veja a lista completa:
01º Trainspotting (1996)
02º Os Desajustados (Withnail & I – 1987)
03º Segredos e Mentiras (Secrets & Lies – 1996)
04º Vozes Distantes (Distant Voices, Still Lives – 1988)
05º Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette – 1985)
06º Violento e Profano (Nil By Mouth – 1997)
07º Sexy Beast (2000)
08º O Lixo e o Sonho (Ratcatcher – 1999)
09º Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire – 2008)
10º Quatro Casamentos e um Funeral (Four Weddings and a Funeral – 1994)
11º Uma História de Sobrevivência (Touching the Void – 2003)
12º Esperança e Glória (Hope and Glory – 1987)
13º Control (2007)
14º Naked (1993)
15º Under the Skin (1997)
16º Hunger (2008)
17º This Is England (2006)
18º Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead – 2004)
19º Vingança Redentora (Dead Man´s Shoes – 2004)
20º Red Road (2006)
21º Riff-Raff (1981)
22º O Equilibrista (Man On Wire (2008)
23º Meu Amor de Verão (My Summer of Love (2004)
24º A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People (2002)
25º O Paciente Inglês (The English Patient (1996)

Porca Miséria no Patrola

Logo ai abaixo  matéria exibida no programa Patrola da RBS tv, conversando com a equipe que produziu um curta nomeado Porca Miséria, protagonizado por Josiane Aline Geroldi, integrante da Ultraleve, e a trilha do curta fica por conta de duas figuras conhecidíssimas na região, Roberto Panarotto da banda Repolho e  Anderson Gambatto (passarinho) da banda Homem Pássaro. Foi legal rever o video e lembrar das manhãs em que eu degustava um cafezinho enquanto lia as notícias do dia, de um jornal local, exatamente na mesma confeitaria que aparece no curta, bons tempos.