Mordidas Sonoras – Franz Ferdinand

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Alex Kapranos mostra o que rock stars comem em trânsito internacional.

Lançado sem grande alarde no Brasil em 2007, tempos depois os shows que a banda fez no país (duas vezes em 2006: abrindo o show do U2, ocasião em que também se apresentou no Circo Voador no Rio, e no festival Motomix, em São Paulo), Mordidas Sonoras é uma compilação de crônicas do vocalista Alex Kapranos, publicadas em sua coluna Soundbites no jornal britânico Guardian durante sua primeira tour mundial.

O leitor é convidado a repartir o gosto de Kapranos pela comida “de rua”, típica, barata ou cara, familiar ou especial, que encontra em cada cidade por onde passa, do Rio de Janeiro a Nagóia. Kapranos é obviamente um fã de comida, mas a experiência também é uma forma de escapar da tradicão de conhecer os países apenas pela janela das dezenas de vans ou quartos de hotel, tão comum a bandas que passam a experiência exaustiva de uma volta ao mundo.

Com ilustrações do baterista da tour, Andrew Knowles, cada crônica vem acompanhada de um desenho. Lugares-comum de aficcionados por comida estão presentes. É o caso da banda comendo fugu, o venenoso baiacu servido como sushi no Japão, que pode matar quando não preparado com absoluta perfeição. Ou a inevitável visita ao templo do churrasco e dos jogadores de futebol no Rio de Janeiro, o Porcão, onde eles se divertem com as fichas vermelhas e verdes que indicam quando você quer parar ou pedir mais comida.

As crônicas são sempre leves e interessantes, e não só por mostrar que o vocalista é capaz de fugir por completo do clichê sexo+drogas da sua situação de rockstar, mas por apresentar fatias sutis e importantes de culturas diversas. Ou você sabia que na Austrália você pode fazer churrasco de caranguejos usando facões? Com humor, frases curtas e ritmo ágil, o livro é cheio de pequenas informações e rico em detalhes aparentemente desimportantes, mas que são elementos tão essenciais de uma cultura quanto a língua falada. Cheiros, texturas e sons acompanham cada história. Mas para mim o que realmente presta neste livro são as ilutrações de Andrew Knowles.  [Paulo Cruz]

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