Mombojó, Amigo do Tempo

BELEZA DA DESILUSÃO
Em fase mais madura, novo disco do Mombojó é trilha sonora melancólica dos percalços que a banda passou

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!, em Recife

Quatro anos sem lançar um disco e o Mombojó volta a figurar com um dos nomes promissores da cena musical. A diferença, agora, é que o grupo abandona relações com o universo independente e mesmo com o rock, para se tornar um dos melhores grupos de música popular brasileira. Agora como um quinteto depois da morte de um dos seus integrantes – o flautista Rafael Torres – e da saída do violonista Marcelo Campello. Amigo do Tempo é um dos melhores trabalhos da banda e sem dúvida o mais maduro.

Esta nova fase atenua as pesquisas sonoras do grupo, e isso vem numa boa hora. Todas as canções do disco mostram um interesse em serem boas por si mesmas, com letras descomplicadas, que remetem a momentos do cotidiano, estados de espírito fáceis de se identificar. Para fãs conterrâneos, a experiência é mais rica. “Casa Caiada”, remonta tardes nesse bairro olindense, de muitas ruas sem asfalto. “O barro da rua / A lama do bairro / sento na calçada e vejo o tempo passar”, lembra os meninos, que agora, “sinto perigo em todo lugar”.

A história da banda, que muitos pensavam ter terminado fica explícito nas letras. Soa como um disco de conciliação e aponta um novo caminho, um pouco distante das experimentações do passado. O que restou foi o namoro ainda maior com a música eletrônica, o que reforça as comparações da banda com o grupo norte-americano Stereolab, de quem a banda é fã. Amigo do Tempo tem muita da inspiração do Stereolab.

As mombojetes, fãs que dão ao grupo uma conotação que se aproxima do fervor que tem o Los Hermanos, podem ficar tranquilas, o vocal com sotaque nordestino e voz púbere de Felipe S. continua, em músicas melancólicas para anotar no caderno, como “Praia da Solidão” e “Triste Demais”.

Mas a banda constroi sua trajetória, desviando dos obstáculos, à revelia de pressões de admiradores e gravadoras. Totalmente independentes, saíram da Trama, de onde lançaram Homem-Espuma quatro anos atrás, e captaram sozinhos dinheiro para fazer este disco. O grupo chegou a se escrever em diversos editais para gravação e perdeu todos. Foi Roberto Carlos quem deu dinheiro ao grupo.

É que o projeto paralelo do grupo, o Del Rey, que faz versões do Rei, que paga as contas do grupo, as despesas de viver em São Paulo e agora, bancou o álbum novo. Amigo do Tempo foi então pré-produzido em Aldeia, bairro na Região Metropolitana do Recife e foi coproduzido por Pupillo, da Nação Zumbi, que conseguiu lapidar as mudanças que o grupo quis mostrar.

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