The Mars Volta – Olympia Theatre, Dublin

Pense muito sobre The Mars Volta, e você pode acabar se tornando muito confuso e frustrado. A partir do imediatismo e convencionalidade comparativa dos At The Drive-In foi um dos expoentes hoje da prog-ismos e interlúdios jam prorrogado. Para a dupla criativa do vocalista Cedric Bixler-Zavala e do guitarrista Omar Rodríguez-López, cada show é um slot à tarde em Woodstock. Como muitas bandas matariam para poder saciar-se que muito, para testar os limites da paciência de seu público e ainda manter seu ardor febril. Mas não há tal coisa como um gênero ruim – apenas músicas ruins, e não importa como ícone At The Drive-In pode ter sido, não importa o quanto você ama os afros, The Mars Volta não estaria no número álbum de estúdio, cinco se não sabia uma coisa ou duas sobre songwriting. O ponto é provado na chave de abertura de faixas neste primeiro show manchete nunca irlandês (que têm aparecido na ‘Inertiatic ESP’ (incorporando ‘Son Et Lumiere’) é amado por muitos fãs por ser a primeira música que ouviu pelo grupo, e sua emocionante falhas código Morse são suficientes para trazer a multidão expectante ao ponto de ebulição. A segunda faixa é “Cotopaxi”, uma de três e meia da laje minutos de funk duro fora Octahedron deste ano. Bixler, debatendo e chicotadas a liderança mic como um leão hirsute Tamer, o líder é uma prisão – cobra-neurastênico, misteriosamente não-comunicativos e de aparência estranha – que é um alívio porque Rodriguez não vai dar-nos um de seus famosos super – a-ombro-e-back-flips guitarra novamente.

Apesar do ritmo caleidoscópico, o volume de cabelo e assustador, cogumelos-tinged visuais pré-colombiana, este o mais intransigente de grupos servidas para agradar a multidão. Fomos tratados de “O Led Zeppelin Widow’ de lamentar, a salsa-metal de” Roulette Dares ‘e em’ Cicatriz ESP ‘, uma granada goosebump caralho enorme. Tanto quanto foi favorável, que era ele.

Um abraço no Almodóvar

Los Abrazos Rotos (título original) marca a quarta colaboração entre o diretor e a atriz Penélope Cruz. O filme se passa em Madrid, e gira em torno de Mateo Blanco (Lluís Homar) – ou Harry Caine – um roteirista e ex-diretor de cinema que fica cego num acidente de carro. A história é contada através de flashbacks, então, acompanhamos os anos 1992, 1994 e 2008.

Além da história de Mateo, ficamos sabendo de um caso que ele teve com Magdalena (Penélope Cruz). Entre um flashback e outro, descobrimos armações, intrigas e romances que aconteceram durante a filmagem do filme (dentro do próprio filme) Chicas y Maletas, que por sua vez, é Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos com algumas alterações.

Parece confuso, mas ao assistir o filme, só o que se pode pensar é que Almodóvar é um gênio. A história é divertida, emocionante e conta com pitadas de cinema noir. Uma das cenas mais comentadas é o processo de criação de um roteiro sobre vampiros, escrito por Mateo e Diego (Tamar Novas), o filho da agente de Mateo, Judi (Blanca Portillo). Há quem diga que é uma alfinetada na febre Crepúsculo, True Blood e derivados.

A trilha sonora não  é tão expressiva quanto eu esperava, porém, conta com músicas de Cat Power e Uffie, entre outros. No entanto, as cores de Almodóvar ainda estão presentes, e quem melhor do que mostrar tais cores do que Penélope Cruz? Como em Volver e Vicky Cristina Barcelona, Penélope está deslumbrante e perfeita no papel, forte, triste e engraçada na medida certa. Uma coisa que gosto nos filmes do Almodóvar é a presença das figurinhas carimbadas, como Penélope, Blanca Portillo, Rossy de Palma e Lola Dueñas, como uma hilária leitora de lábios.

Eu senti falta da musa principal, Carmen Maura, ele deveria ter achado um lugar pra ela, mas, mesmo sem ela, o filme é perfeito! Vale muito a pena! Abaixo, o trailer pra quem ainda não conhece:

créditos: mycool

[Paulo Cruz]

O Mágico de Oz – 70 Anos

Em 2009, a adaptação para os cinemas do conto fantasioso de Lyman Frank Baum completa 70 anos desde seu lançamento. O filme, lançado em 1939, tornou-se um marco do cinema por diversos fatores. Foi uma das primeiras produções a usar o recurso de technicolor (para deixar as cenas coloridas), alçou Judy Garland – que já era popular na época – ao status de verdadeira estrela de Hollywood, apresentou canções originais que o mundo cantaria até os dias de hoje, e foi uma das primeiras adaptações de obras literárias que puderam ser vistas nas telas dos cinemas.

É difícil fazer um post sobre os 70 anos da película sem comentar sobre as diversas variações da história que surgiram no decorrer do tempo. Até mesmo o próprio livro, lançado pelo escritor nascido em Chittenango, NY, ganharia mais treze (!) continuações, criadas pelo próprio. Frank Baum, que era fascinado por literatura e teatro desde a infância, lançou diversos livros infantis e adultos, mas entregou ao mundo sua obra definitiva – “O Mágico de Oz” – somente em 1900. A história de Dorothy, garota que é levada à uma terra desconhecida por um furacão repentino e procura, com a ajuda de um espantalho, um leão e um homem de lata por um mago poderoso que pode mandá-la de volta pra casa foi um grande sucesso de vendas na época, tendo sido posteriormente adaptada para os palcos da Broadway, permanecendo em cartaz por nove anos.

Incrivelmente, o aniversário da versão cinematográfica foi comemorado de forma discreta em alguns lugares do mundo. A cidade de Wamego, no Kansas, realizou diversos eventos em comemoração à data, além de manter há anos o “museu” de “O Mágico de Oz”, que possui no acervo mais de 25 mil (!!) peças relacionadas ao filme, incluindo um figurino original usado por Judy Garland nas filmagens do mesmo. No resto do globo, os setenta anos do lançamento foram celebrados sem muito alarde – os grandes estúdios e redes de lojas não deixaram de prestar suas homenagens e, de quebra, talvez lucrar um pouco com isso…

A Warner Bros. , em companhia da “Swarovski” convidou diversos designers/estilistas famosos para fazerem releituras bem glamourosas do famoso sapatinho de rubi que a protagonista usa para realizar seus desejos (curiosidade: no livro, eles não são rubi, são prateados!) A exposição “The Wizard of Oz Ruby Slipper Collection” – que mostrará as criações de nomes como Manolo Blahnik, Jimmy Cho e até Gwen Stefani e sua grife L.A.M.B – esteve na Mercedez Benz Fashion Week no mês de Setembro,  e, itinerante, estará em outras grandes cidades, como Miami, durante a Miami Art Week esse mês. Os sapatos serão leiloados daqui alguns meses, com o fim do evento.

Os estúdios lançaram também, em diversos países – incluindo Brasil – uma edição especial do filme em DVD, com 4 discos cheios de extras. Ok, o preço é salgado: em média, R$149.00 pelo Box completo. Lá, você pode encontrar materiais nunca antes vistos pelos fãs, produzidos na época do lançamento e também agora.

Gostaria de prestar sua homenagem a obra e convidar os leitores à conhecer – ou relembrar – esse clássico que recebeu dois Oscars  (melhor trilha sonora e melhor música) , foi eleito pelo American Film Institute como o décimo melhor filme de todos os tempos e está guardado de forma carinhosa nas mentes de gerações que vivenciaram uma época diferente da nossa e agora, continua conquistando novos fãs apaixonados pelo reino de Oz e por uma história tão simples e ao mesmo tempo tão encantadora e marcante.

Pra finalizar, vamos relembrar uma das canções mais clássicas de todos os tempos e que está na trilha sonora do filme? Aposto que vocês sabem qual é…

[Paulo Cruz]

Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho [2001]

Embora o Ventura também seja merecedor de um ranking como esse, não dá pra negar que foi o Bloco do Eu Sozinho o marco histórico na carreira dos Los Hermanos. Os caras sofreram uma mutação incrível ao parí-lo, entrando em um denial generalizado consequente ao estouro do hit Anna Julia. O disco é tomado por uma melancolia rascante, que de certa forma acaba assumindo uma frente carismática, através das melodias minuciosamente bem compostas e alegres. Todo Carnaval Tem Seu Fim abre os trabalhos, cantando uma alegria carnavalesca bastante hipócrita. Seguindo chegam as belíssimas A Flor, Retrato Pra Iáiá, Assim Será, Casa Pré-Fabricada, e aquela com a letra mais gênia ever: Cadê Teu Suín?, todas obras prima compostas por dois dos melhores poetas da década: Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo. E no momento que o cara acha que já dá pra segurar os suspiros, chega Sentimental, uma avalanche de desconsolo que, num verso subliminar, justifica todo e qualquer joguinho de amor, quando afirma: “Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.” Depois desse tapa na cara, neguinho nunca mais se recupera. Nem com as lindas finaleiras Deixa Estar, Mais Uma Canção, Fingi Na Hora Rir ou Veja Bem Meu Bem no repeat a semana inteira. Bloco é um lindo álbum, daqueles de deixar na prateleira e tocar pros netos daqui uns bons 50 anos.

créditos: mycool

Terceiro álbum do Arcade Fire pode sair em maio

Já cansou de fazer listinhas mentais dos discos esperados para 2010? Pois saiba que a listagem só tende a aumentar. Só para o primeiro semestre já podemos esperar novos trabalhos de, por exemplo, Black Rebel Motorcycle Club, Interpol, Strokes (?), She & Him, Spoon, Goldfrapp, Shout Out Louds, Keane, entre outros.

E não é que os nomes supracitados podem ganhar um companheiro de peso? Os canadenses do Arcade Fire estão com um disco sendo preparado e, de acordo com a Billboard, o terceiro trabalho da excelente banda quebequense deve ser lançado em maio do próximo ano! Ótima notícia para os fãs que, assim como eu, aguardam anciosamente pelo sucessor de Neon Bible – último disco do Arcade, lançado em 2007.

Notícias indicam que a banda passou os últimos seis meses em estúdio com o produtor Markus Dravs, que já trabalhou com Coldplay, Bjork e Brian Eno e foi, aliás, um dos engenheiros de som do último CD do Arcade Fire.

[Paulo Cruz]

Covers que valem a pena conhecer!

Fiona Apple: Across The Universe (Beatles)

Fiona Apple.

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=8gLWTtlMwo4&feature=fvw
Um daqueles casos em que a regravação é melhor do que a versão original. A dos Beatles é ótima, mas a tristeza envolvente que Fiona Apple emprestou a esse cover é de arrepiar.

Nelly Furtado: Sozinho (Caetano Veloso)

Nelly Furtado

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=oSgTC6WXv7w
Nunca gostei muito de nenhuma das versões dessa música, mas o sotaque lusitado de Nelly Furtado deixou-a, no mínimo, um pouco mais cativante.

The Killers: Girls Just Wanna Have Fun (Cyndi Lauper)

The Killers

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-RrRSPjLvWI
Inspirados pela dance music em seu último álbum, pode ser que os garotos do The Killers tenham se empolgado o suficiente pra fazer um cover do clássico de Cyndi Lauper. Brandon sempre se solta nas dancinhas!

St Vincent – These Days (Nico)

St. Vincent

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=1vxQs84FMWQ
A voz de St. Vincent soa frágil e indefesa nessa versão da música composta e gravada por Jackson Browne e posteriormente pela ex-vocalista do Velvet Underground, Nico. A letra da música é linda, um lamento. E cada pessoa que a interpretou mostra nuances completamente diferentes – ora a canção soa mais otimista, algumas vezes totalmente desesperançosa. Annie Clark, a.k.a St Vincent, por sinal, é uma ótima cantora, que pode vir a se tornar mais conhecida por uma música sua inserida na trilha sonora de “Lua Nova”. Conheçam a banda, mas não precisam ir ver o filme no cinema, tá?

One Republic: Mercy (Duffy)

One Republic

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=fD8sLsvn9qQ
A banda, que ficou famosa ao gravar “Apologize” com Timbaland, regrava a música da cantora Duffy, que ficou impregnada na cabeça de muita gente no ano passado. Boa para aqueles que simpatizam com a canção, mas detestam os agudinhos da artista. Até eu que gosto, admito: de vez em quando é difícil ouví-la por períodos prolongados sem querer dar um soco no rádio. (?)

Johnny Cash: Hurt (Nine Inch Nails)

Johnny Cash

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=o22eIJDtKho
Johnny Cash se apropriou da música, com sua voz de mágoa e naturalmente melancólica. Outra no mesmo nível da versão original.

Florence And The Machine: Halo (Beyoncé)

florence-and-the-machine

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=0_ohj99qeBA
Depois do susto que levei com a cara da Florence Welch , a.k.a. Florence + The Machine na foto do vídeo, me atentei a versão curiosa de Halo que ela fez. Gosto da artista, mas não posso dizer que essa versão seria hit no meu mp3. (?) O resultado é estranho.

Ida Maria: Sweet About Me (Gabriella Cilmi)

Ida Maria

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=aBITg73bYw8
Sabe a música do comercial do Rexona, com a mocinha de cabeça pra baixo? Ganhou uma versão menos “arrumadinha” da roqueira Ida Maria. Ficou ótima!

Corinne Bailey Rae: Sexyback (Justin Timberlake)

Corinne Bailey Rae

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=v5P9lZC4stE
Corinne Bailey Rae consegue, de certa forma, tirar todo o “assanhamento” (?) da música de Justin Timberlake.

Regina Spektor: Love Profusion (Madonna)

Regina Spektor

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=64mdCi95ySs
Ignore a má qualidade de gravação: Regina Spektor transformou um dos singles do álbum “American Life” em uma de suas músicas impecáveis tocadas no piano.

Elvis Costello: Beautiful (Christina Aguilera)

Elvis Costello

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=Gkd4rq0hRyY
Versão de “Beautiful”, música escrita por Linda Perry e interpretada por Elvis Costello que certamente marcou para os fãs da série House M.D!

 

[Paulo Cruz]